A ajuda do exercício físico nos distúrbios do sono

“No Silêncio da inatividade, constrói-se o futuro do corpo.”
Deepack Chopra.

Com esta frase começamos a matéria deste mês aqui no Blog + Saúde, afinal ainda há muito que desvendar a respeito deste processo complexo e vital que perfaz 1/3 de nossas vidas, especialmente nesta nossa era em que todos estão como que “subjugados” ao estilo de vida digital, onde a privação do sono parece uma tendência crescente.

À medida que a Ciência não trata mais o período de sono como simples tempo de redução das atividades atribuindo-lhe inúmeras funções indispensáveis ao corpo, este ganha cada vez mais importância e se configura em mais um problema de saúde pública. Na capital paulista as queixas de insônia e sonolência batem na casa de 27% e 72% no momento! Com esta preocupação buscamos apresentar de que formas ou como os exercícios físicos podem ajudar nesta temática, recuperando o chamado “padrão” do sono, fundamental para que vivamos com mais qualidade de vida (Martins,P.J.F.; Mello, M.T.; Tufik, S.,2001; Hanna, K.M.A.; et.al.;2007).

Diversos fatores interferem no nosso ciclo “sono-vigília”. Demandas de trabalho, escola, preocupações familiares, filhos, estilo de vida, medicamentos, entre outros. Se por um lado a Atividade Física é unanimidade na questão de promoção da saúde, por outro, a perturbação ou falta do sono é capaz de gerar consequências ao bem-estar que englobam desde características de irritabilidade, falhas de memória, tempo de reação, até alterações fisiológicas de hormônios, processos cognitivos e risco de morte. Ante a gravidade destas condições da vida cotidiana, estudos multidisciplinares buscaram também nos Exercícios físicos uma forma terapêutica e passaram a observar seus resultados. É interessante entender que os estudos sempre o relacionaram com três hipóteses na qual ele poderia facilitar o “disparo” do início do sono bem como sua manutenção:

Embora não unânimes, a maioria das pesquisas apontou a capacidade da atividade física regular em elevar as chamadas ondas lentas do sono, a qual é o indicador que representa a profundidade do mesmo, ou melhor, a boa homeostase do sono. Mas, nem tudo são flores, segundo os dados, existe uma relação entre a INTENSIDADE e DURAÇÃO das atividades para se obter tais melhorias, como aponta a figura (Martins,P.J.F.; Mello, M.T.; Tufik, S.,2001).

Os exercícios que chegaram à 1h de duração em intensidade máx. de cada pessoa não produziram mudanças nas ondas lentas, ao contrário de quando a intensidade variou entre 50-80% do VO²Max. E já que falamos em treinos, importante considerar que o excesso de treinamento, com curtos períodos de intervalos de recuperação, pode resultar na Síndrome do Overtraining, também capaz de causar transtornos na hora de dormir. Por isso, a prescrição das atividades requer cuidado e acompanhamento do Educador Físico.

E o que mais podemos fazer para conseguir um sono restaurador (além de adotarmos uma vida mais ativa!!) ?
A seguir 10 dicas para se colocar em prática a higiene do sono, vamos lá!

Enfim, devemos reconhecer que muitas coisas atualmente atrapalham na questão do sono, e talvez a principal seja o próprio modo “touch” e “fast” de ser em tudo. Entretanto, é inegável a necessidade do sono para o ser humano, afinal, se trata da mais evidente manifestação de adaptação dos mamíferos ao meio ambiente. Não é possível esquecer que o homem também é um animal e deve primeiro respeitar sua gênese…

Frente à correria da vida moderna, vale lembrar que o processo de desaceleração também está em nossas mãos. Podemos avaliar nossas rotinas, necessidades e obrigações, e optar por melhores escolhas ou alternativas, embora não seja fácil.

A atividade física regular pode auxiliar no tratamento diretamente (na elevação das ondas lentas do sono) e indiretamente (no controle do peso corporal e promoção de hábitos saudáveis), paralelamente com algumas modificações na rotina e práticas de higiene do sono. Por fim, igualmente importante incentivar que as pessoas conheçam seu padrão de sono e saibam que alguns distúrbios precisam de tratamento médico e têm solução.

Um abraço e mãos á obra sempre!

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