A propriocepção em idosos

Hoje em dia o conceito do envelhecimento saudável está muito presente entre as pessoas. O aumento da expectativa de vida proporcionado pela ciência colocou a Terceira idade entre os temas sociais mais relevantes, afinal, quem não quer envelhecer bem? Os benefícios da atividade física para essa população já foi tema no Blog Mais Saúde. Porém, desta vez, vamos abordar sobre as alterações da propriocepção que ocorrem quando envelhecemos, constatar de que forma isso afeta o nosso equilíbrio, já que é um dos fatores principais de quedas entre os idosos, e por fim, como o exercício físico pode atuar neste aspecto. “Simbora?!”

Ricci NA, Gazzola JM, Coimbra IB, 2009.

Resumidamente a propriocepção é o conjunto de informações multi-sensoriais do meio-externo enviadas por diversos receptores espalhados pelo corpo (receptores musculares, articulares, visuais e vestibulares) ao nosso Sistema Nervoso Central (cérebro), o qual as organiza com prioridades à elaboração  da melhor resposta no controle postural do corpo, tanto parado quanto em movimento. As alterações neste elaborado sistema ocorrem naturalmente pelo envelhecimento e podem se dar também no uso de medicamentos ou por doenças. Elas resultam na lentidão do processamento dos estímulos sensoriais, menor velocidade de condução dos mesmos e assim, promovem um retardo nas respostas motoras do corpo. O suficiente para trazer maior instabilidades no equilíbrio, aumentar as chances de quedas e contribuir psicossocialmente com isolamento social dada as inseguranças e restrições às atividades físicas diárias (AVDs) até então rotineiras.

Frente a esse quadro, o exercício físico tem se mostrado importante aliado na reabilitação da propriocepção ao expor o corpo as condições de dificuldade e ajuda-lo a responder mecanicamente às informações trocadas com o ambiente. Do Nascimento, et al (2012) conseguiram diminuir as oscilações de queda e do tempo de percurso de marcha com voluntários após 4 semanas de treinamento proprioceptivo em pista de solos e dificuldades progressivas. A função da velocidade da marcha tem sido associada a melhora da capacidade de manter o equilíbrio. Santos, et al (2015) em revisão sistemática também reporta melhoras na propriocepção associada a prática de exercícios multifatoriais, programa composto de alongamentos, aeróbicos, atividades para o equilíbrio e exercícios com pesos. Além disso, o estudo destacou os resultados ainda melhores entre os praticantes da modalidade Tai Chi Chuan.

Santos et al (2015)

Na prescrição de programas, há a tendência para a combinação de estímulos incluindo exercícios funcionais de equilíbrio e propriocepção com flexibilidade,  força muscular e aeróbicos. Propiciando  uma transferência mais eficaz dos ganhos com treinamento nas Atividades Físicas Diárias (AVDs) e, sem dúvida, na independência e qualidade de vida do idoso.

Profissionais da Educação Física e Fisioterapia precisam verificar o nível de autonomia do idoso e considerar as morbidades presentes antes de configurar o programa.

Nos vídeos abaixo observamos dois exercícios de rotina  com meus alunos visando melhorias na propriocepção, coordenação motora e equilíbrio.

https://www.youtube.com/watch?v=Te_ZvuUiSyg 

https://www.youtube.com/watch?v=7Vr5o9damNA

Enfim, na certeza de que todos envelheceremos, fica evidente a importância de estimular e exercitar o corpo sempre. Os dados sensoriais captados do ambiente são primordiais para nossa orientação, estabilidade envelhecermos com qualidade de vida. Além do mais, é fundamental estar atento e detectar possíveis “déficits” para procurar ajuda de profissionais da saúde na intenção de se reabilitar.

Agradeço aos meus alunos Isaura e Valdemar por participarem  da matéria  mostrando seus esforços e dedicação! =)

Um abraço e mãos à obra sempre!

Leandro J.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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