Por que é importante para o idoso se exercitar?

No dia 1 de outubro comemorou-se o Dia internacional do Idoso e de fato o mundo atual convive com a perspectiva de longevidade crescente. Pelas projeções do IBGE (2013), a população brasileira de idosos em 2060 será de 33% com 58 milhões de pessoas acima dos 65 anos. Com um número tão alto, há a preocupação com o futuro, com a qualidade de vida e a necessidade de políticas estratégicas pensando na preparação das pessoas para essa vida mais longa, na manutenção de suas capacidades funcionais e autonomias (Tribess, S; Virtuoso Jr., J.S.,2005). Por isso, o Blog Mais Saúde traz para o centro da conversa o papel do Exercício Físico, procurado cada vez mais a partir da constatação dos seus benefícios no tratamento, redução e prevenção de todos os tipos de perdas do passar da idade, desde os fisiológicos aos aspectos psicoemocionais, cognitivos e sociais. Afinal “Por que é importante o idoso se exercitar? ” Vejamos a seguir essas razões, assim como os cuidados a se assegurar no momento da prática. Vamos lá?!

É preciso ver o envelhecimento como um processo complexo que reflete na redução das capacidades de realizações das atividades diárias e que tal declínio não ocorre juntamente com o tempo cronológico havendo variação de pessoa para pessoa. Fatores psicoemocionais, genéticos e de estilo de vida também estão relacionados. A tabela abaixo dá um panorama dos diferentes níveis das perdas pela idade:


Adaptado de Tribess, S; Virtuoso Jr., J.S.,2005

A somatória dessas alterações impacta na saúde e na qualidade de vida no idoso e é relevante dizer que os sedentários ficam também mais vulneráveis a desenvolver algumas doenças crônico-degenerativas, conforme a figura a seguir.

Embora irreversível, estudos mostram que o ritmo do envelhecimento pode ser “desacelerado” à metade quando adotado um hábito de vida ativo com atividades físicas regulares (Nóbrega et all.,2001), o que evidencia o Exercício Físico como uma das principais formas terapêuticas (ao lado da Nutrição, Medicação e Mudanças Comportamentais) para propiciar um envelhecimento mais saudável. Seus benefícios atuam de forma aguda (imediato ao treino) e crônica (na sequência dos mesmos) com efeito protetor sobre o organismo, reduzindo os fatores de risco e a morbimortalidade por tais doenças. Eis alguns:

Cabe ressaltar aqui os ganhos psicológicos do exercício e de sua relação inversa com os quadros de depressão. Segundo Moore et all (1999) a doença acomete de 15-25% da população idosa e é uma das principais causas do isolamento social, da vida sedentária e queda na qualidade de vida. A atividade física representa uma oportunidade de maior integração social e vivência de valores como respeito, aceitação e pertencimento a um grupo, os quais contribuem para formar um ciclo positivo de melhora no bem-estar, redução de estresse, ansiedade e maior disposição.

Entretanto, para se envolver em uma rotina de exercícios entra em cena o papel fundamental do Educador Físico para que a prescrição do programa seja cuidadosamente direcionada aos objetivos do idoso e suas especificações, que podem variar desde a menor percepção sensorial a dificuldade ortopédicas e biomecânicas, por exemplo. Tendo o perfil de classificação dos níveis de capacidade funcional (Matsudo,2001) é possível obter melhor aproveitamento das atividades e minimizar riscos existentes. Um bom programa deverá englobar componentes da força, da flexibilidade, de agilidade e equilíbrio, além da capacidade aeróbica, respeitando os princípios que norteiam o treinamento físico de intensidade, duração, frequência e progressão.

Enfim, por todos estes motivos, fica clara a importância da adoção de uma vida ativa o quanto antes, pois o tempo passará para todos. É preciso estarmos atentos de que são as escolhas e atitudes no presente que determinarão as consequências na nossa qualidade de vida futura. E saber que é possível achar um equilíbrio e envelhecer com mais saúde, prolongando (e muito!) nossa autonomia e capacidades funcionais do dia-dia. Incentive um idoso a se exercitar, a se cuidar e a procurar sempre orientação dos profissionais da saúde neste propósito.
Um abraço e mãos à obra sempre!

Leandro J.

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