Voltando a treinar após lesão

É sabido que as lesões musculares correspondem em torno de 30-50% como principal causa da interrupção e/ou incapacidade das práticas de exercícios físicos e esportes (Fernandes, T.L.; Pedrinelli, A.; Hernandez, A. J.,2011). Diversos fatores estão relacionados com suas causas tais como fraqueza e desequilíbrios musculares, excesso de sobrecarga, overtraining e traumas, os quais também implicam em diferentes níveis de lesão e tempos de recuperação.

Práticas terapêuticas falhas e mal orientadas, além da ansiedade e imediatismo das pessoas têm se configurado entraves a serem superados a fim de evitar a demora do retorno às atividades, por isso, veremos este mês no Blog + Saúde as cautelas importantes na retomada dos treinos após uma lesão, o foco e características dos exercícios desta fase e ainda algumas sugestões de vivências corporais complementares (que ajudarão muito!!) para um retorno satisfatório, sem frustração e de sucesso! Vamos lá…?

Fundamental esclarecer que o 1ºpasso no treinamento só acontecerá após completada a fase aguda do tratamento da lesão com acompanhamento médico e fisioterapeuta, e na ausência de dor (Fernandes, T.L.; Pedrinelli, A.; Hernandez, A. J.,2011). Assim, uma nova rotina de treinos deverá ser organizada pelo Educador Físico com o objetivo de reinserir o exercício físico de modo gradativo e adequado em volume e intensidade para não haver reincidência de contusão.

Dessa forma, podemos elencar 4 frentes de atuação nos treinamentos neste período de readaptação: Flexibilidade, Reeducação de movimentos, Fortalecimento e Equilíbrio das cadeias musculares.

A flexibilidade é necessária para devolver a amplitude de movimento da região afetada, prevenir novas lesões, relaxar o corpo após o os treinos. Essa capacidade reflete também na qualidade do trabalho de fortalecimento e equilíbrio entre os músculos, e deve ser adquirida gradualmente. A reeducação dos movimentos implica em atentar-se à execução correta dos exercícios, rever a postura e mantê-la sem compensações através da ativação de musculaturas estabilizadoras. Tal domínio deve ser alcançado com uma carga de trabalho inferior primeiramente. Por sua vez, o trabalho de fortalecimento com exercícios resistidos busca a construção da adaptação anatômica (base de resistência) e o reequilíbrio das cadeias musculares, considerando as perdas de massa magra, propriocepção e coordenação, que alteram o controle neuromuscular. Como resultado do treinamento, teremos o restabelecimento dos padrões motores e, sobretudo, a recuperação da estabilidade articular e funcional, pré-requisitos para treinos de maior intensidade (Fernandes, T.L.; Pedrinelli, A.; Hernandez, A. J.,2011; Leporace G, Metsavaht L, Sposito MMM.,2009.)

Vale a pena listar algumas práticas pós treinos (e também podem ser feitas em casa!!) que irão “turbinar” o processo recuperativo. A 1ª é a massagem e os alongamentos nos músculos do local, auxiliando no relaxamento e na remoção de metabólitos celulares. A 2ª são os benefícios da crioterapia com a bolsa de gelo por 20 minutos na redução de possíveis edemas. Por fim, em 3º procurar fazer uma alimentação saudável e boa hidratação (água) assegurando os nutrientes que o corpo precisa. Um nutricionista é muito bem vindo nesta hora (Shroyer, L.;2016)

Enfim, com essas colocações, fica claro que quando nos machucamos o retorno aos exercícios não é algo corriqueiro. Trata-se de um processo com diversas variáveis de acordo com o tipo, nível e extensão da lesão. Além de desafiadora, a recuperação exige cautela e disciplina e respeito aos limites e sinais do nosso corpo para não se tornar uma frustração, adiando mais do que o necessário o tempo de suspenção dos treinos. Procure os profissionais que podem te ajudar, persista e retome o caminho para uma vida ativa! Comece o ano cuidando de você!

Um abraço e mãos à obra sempre!

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