Voltei a correr, mas não emagreço

De fato o ritmo de vida das pessoas nas grandes cidades frequentemente afeta a prática de atividade física diária. Isso exige cada vez mais adaptação (e organização!) para nos manter ativos (assíduos) nos exercícios, sejam quais forem as razões ou objetivos: hobbies, saúde, estética ou bem-estar. Neste mês, o relato deste rapaz ilustra muito bem tal realidade:

Vamos lá! Vejamos alguns pontos envolvidos nesta questão sob o aspecto do exercício, da nutrição, de “erros” que criam obstáculos na perda de peso, sugestões para obter melhores resultados e sem dúvida, da consulta ao médico regularmente.

Seguindo os princípios do treinamento físico, pouco provável conseguir os mesmos resultados com uma frequência de atividades semanal menor. Além disso, a mudança do percurso com mais paradas em função do trânsito, juntamente com subidas e descidas, alterou a intensidade do treino e a “queima” que gerava. Se por um lado as subidas e descidas aumentam a intensidade elevando a frequência cardíaca, por outro diminuem a capacidade de manutenção do exercício por um tempo maior. Assim, considerando um indivíduo que está descondicionado, o processo na mobilização da gordura será menos eficaz. Portanto, é recomendável procurar um percurso mais plano inicialmente, no qual o exercício em uma intensidade menor consiga ser mantido por maior tempo em cada sessão (40-50’). Então, com alguns quilos a menos e em melhores condições físicas, partir para os treinos com variações de intensidade, bem interessantes à maior redução do tecido adiposo (Tremblay, A. et al. 1991).

A recuperação do peso perdido é um sinal de que os hábitos alimentares ainda precisam ser reeducados e nesse sentido, sugiro (sim!) a ajuda de um nutricionista para distribuir as refeições e lanches ao longo do dia, e melhor orientar nas escolhas dos diferentes alimentos, respeitando o gosto e a cultura de cada pessoa. Inclusive, a combinação de alguns deles (alimentos funcionais) poderá ajudar na aceleração do metabolismo visando à perda de peso. E já que falamos de comida, importante verificar se tem havido ingestão de carboidratos momentos antes ou durante a corrida, pois neste caso haverá dificuldade no uso da via energética da gordura e do emagrecimento.

Outra sugestão para o caso em questão é incluir na semana, 2-3 dias de musculação (exercícios resistidos), com foco nos grandes grupos musculares como costas, peito, pernas e abdome. A prática será benéfica à resistência muscular (preservação da massa magra), aos ossos, a coordenação dos movimentos e a prevenção de lesões, refletindo em maior qualidade e conforto nos treinos da corrida. Além do mais, elevará a taxa metabólica basal (repouso) do corpo, contribuindo ao balanço negativo diário necessário a diminuição do peso (Sarkis, M. 2009; Hill, J.O. et all, 1993).

Após as colocações do balanço energético, o gasto com as atividades físicas e a reposição dos alimentos, não podemos nos esquecer da questão hormonal que rege todo o organismo. Os hormônios T3 (Triioodotironina) e T4 (Tiroxina) produzidos pela tireóide são fundamentais ao funcionamento normal das reações do metabolismo, inclusive permitindo outros hormônios de cumprirem suas funções. Portanto, vale a pena fazer um check-up e verificar se está tudo certo.

Enfim, esperamos ter apontado caminhos nesta dúvida e que o internauta persista na busca dos seus objetivos, pois o corpo tem “memória” e responde aos estímulos. Além disso, que as orientações dadas motivem mais pessoas a mudarem suas realidades e rotinas rumo a uma vida mais ativa, com saúde, bem-estar e uma alimentação de qualidade.

Um abraço e mãos á obra sempre!

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